Quarta-feira, 29 de Agosto de 2007

Perpétua para general de Pinochet


   Vinte anos depois do cobarde assassinato de 12 jovens (todos eles com menos de 30 anos) pertencentes à Frente Patriótica Manuel Rodriguez, que lutava contra a ditadura de Pinochet, perpetrado pela CNI, a secreta chilena entretanto extinta, o seu director e responsável directo por essas execuções sumárias – o general na reserva Hugo Salas Wenzel -, viu ontem a sua sentença de prisão perpétua confirmada pelo Supremo Tribunal do Chile.

   O que se passou?

   Em 6 de Setembro de 1986, a Frente Patriótica Manuel Rodriguez levou a cabo um atentado que tinha como objectivo eliminar fisicamente Augusto Pinochet. Apesar de fracassada, esta acção viria a provocar a morte a cinco elementos da segurança do ditador, o que fez desencadear uma operação de verdadeira caça ao homem (mais tarde chamada de Operação Albânia) tendente a capturar e matar os responsáveis.
   Assim, os 12 elementos da FPMR estiveram durante meses sob forte vigilância da secreta chilena, que punha Pinochet ao corrente de todas as suas diligências, tendo-o, inclusivamente, informado – e isso ficou provado em tribunal – de todos os detalhes das operações de busca até às últimas horas que precederam o massacre.
   Segundo consta do processo, o general agora condenado, soube com uma semana de antecedência que a unidade antiterrorista da CNI preparava esta operação contra os dirigentes da FPMR e a sua ordem foi a de eliminar sumariamente quem fosse detido.
Os militantes da FPMR acabaram por ser interceptados e mortos a sangue frio entre 15 e 16 de  Junho de 1987, naquilo que ficou designado pela «Matança de Corpus Christi».
   Cinco das vítimas foram emboscadas e mortas em lugares diversos da capital, enquanto que as sete restantes eram detidas e levadas para o quartel central da secreta, aguardando a ordem do director nacional (general Salas Wenzel) para serem eliminadas.
Chegada a ordem, esses 7 elementos foram levados para uma casa, preparada com alguns dias de antecedência para realizar a operação, tendo sido distribuídos por diversas divisões e, de imediato, assassinados com armas de fogo.
  
   Para além do general, foram ainda condenados o chefe executivo da CNI, Álvaro Corbalán, a 15 anos de prisão, e a 10 o ex-oficial de Carabineiros Ivan Quiroz. Outros 12 agentes envolvidos no massacre foram condenados a penas que vão dos 5 aos 10 anos de cadeia.
  
   Os 12 elementos da Frente Patriótica Manuel Rodriguez assassinados em 1987 foram: Ignacio Valenzuela Pohorecky, Patricio Acosta Castro, Julio Guerra Olivares, Wilson Henríquez Gallegos, Juan Henríquez Araya, Patricia Quiroz Nilo, José Valenzuela Levy, Esther Cabrera Hinojosa, Ricardo Rivera Silva, Elizabeth Escobar Mondaca, Manuel Rivera Calderón y Ricardo Silva Soto.
  
   O que se lamenta, o que eu lamento no meio de tudo isto, é que o ditador Pinochet – o primeiro e maior responsável por esta ignóbil situação - tenha escapado incólume aos efeitos implacáveis da justiça. Até nisso a morte continuou a ser sua aliada.
  
(Fonte: La Nación, edição de hoje)
  
publicado por jdc às 15:28
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1 comentário:
De cadeiradopoder a 29 de Agosto de 2007 às 19:52
Agradeço as palavras amáveis que me dirigiu, e aproveito para lhe dar os parabéns pelo excelente blog que aqui tem!

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