Quinta-feira, 6 de Setembro de 2007

Pavarotti

    

     O silêncio é a melhor forma de abafar esta tristeza que sinto ao ver partir o homem que sempre me surpreendeu e maravilhou pela vivacidade e empolgamento que punha nas interpretações magistrais de tudo aquilo que cantava; em particular de obras saídas de mentes tão singularmente criativas como as de Verdi, Puccini ou Donizetti.
     Luciano Pavarotti morreu ao início desta madrugada, em Modena, sua terra natal, aos 71 anos de idade.
publicado por jdc às 09:59
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Quarta-feira, 5 de Setembro de 2007

Caricaturas de J. Leal

    
    
     Jerihely Leal España, ou J. Leal como é conhecido, é um artista plástico venezuelano com 31 anos e, curiosamente, licenciado em engenharia electrónica a que nunca teve necessidade de recorrer para a sua sobrevivência. Desenvolve o seu trabalho na área da ilustração e da caricatura.
     «Eu adoro a pintura pelo seu poder de expressão e a ilustração pela mensagem de uma ideia. Mas para mim a caricatura é certamente mais profunda. Ela fala da essência das personagens e a inconsciência explorada da representação», são palavras suas numa entrevista que concedeu recentemente.
    
  
     Parte da sua formação artística foi obtida em Espanha, onde estudou artes e viveu desde 2001 até ao ano passado.
     A não perder os sites
http://www.j-leal.com e http://www.j-exhibit.com  onde parte do seu primoroso trabalho pode ser visto.
publicado por jdc às 15:06
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Egoísmos

    

     Sentei-me no Café Arcuense deviam ser mais ou menos três horas. Quase ninguém, como é habitual em tardes de sábado e de início de verão. Pedi uma água tónica com três pedras de gelo, costume que me ficou dos calores da Guiné.
     Duas mesas ao lado da minha, outros tantos casais, na casa dos trinta e pouco. Via-se que eram de fora. Pelas roupas, pelo estilo, pela fala. Conversavam eles, animadamente, sobre um concurso qualquer da televisão. Da TVI, sobre a inteligência da Julia Pinheiro ou dos concorrentes. Se calhar de todos. Confesso que não fixei.
     Um pouco mais à frente, dois putos a atirar para os dez, de pé em frente à televisão, embasbacavam-se naquele ecrã gigante, monstruoso mesmo. Futebol, para que os bons hábitos floresçam desde meninos.
     Vejo um deles, t-shirt dos Chicago Bulls, forte e gordo, daqueles de muito hamburguer McDonald´s, muito pedaço de frango do Kentucky Fried Chicken, muita batata frita, coca-cola e ketchup, a pedir um Perna de Pau da Olá. Deve estar a dieta, pensei eu. Em circunstâncias normais teria pedido um Corneto a esparramar-se em chocolate.
     O outro, mais para o magro, mais para a pizza mozarela, pediu-lhe uma trinca.
     — É que nem penses! — exclamou ele, rodando o corpo para o lado contrário. — Isso é que era bom!…
     — Não sejas bera, pá, dá lá!
     — Vê se te calas e não me chateies! Queres o pau? Eu no fim dou-te o pau, está bem? — respondeu o gordo, com mais de meio gelado já comido.
     Apercebi-me, entretanto, que eram filhos dos dois casais. Um de cada.
     Aquele que me pareceu ser o pai do gordo — pela cara, pelo aspecto — observava também a cena, de esguelha. Levantou-se, aproximando-se dos dois.
     — Então o que é que se passa? — perguntou ao mais lingrinhas.
     — É o Rambo, que não me quer dar gelado. Diz que só o pau e no fim.
     — Então, ó Bruno Manuel?! Que história é essa de só quereres dar o pau do gelado ao Frederico António? — perguntou o pai.
     Notei que o miúdo amuava. Fez uma cara que os manuais de comportamento pré-adolescente costumam designar como SSEQTDDTF, ou seja: «sou sempre eu que tenho de dar tudo, fogo!…».
     O pai, via-se pela cara, notava-se pelo porte, de cabeçorra enorme a lembrar-me aqueles seguranças do Grupo Oito, que me pareceu persuasivo pelo menos, flectiu os joelhos, passou-lhe a mão pela cabeça de cabelo curto e disse, condescendente:
     — Vá lá, Bruno Manuel! Não sejas egoísta como a tua mãe, que diabo! Dá-lhe ao menos o papel de fora, pá!
publicado por jdc às 10:57
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Terça-feira, 4 de Setembro de 2007

Mais Descanso

    

 

     Acabaram-se os roubos isolados de selins, a menos que se leve também a bicicleta. O que é bem possível, apesar de menos provável.
     De qualquer forma é uma solução prática para cadear quer o selim quer a bicicleta.
     O selim é retirado do seu lugar, o que impede que alguém se sente, bloqueando em simultâneo a roda traseira e impossibilitando a bicicleta de se movimentar.
publicado por jdc às 12:24
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Diálogos à solta (3)

 

— Por favor, minha senhora, queria comprar um ramo de flores.
— Alguma ocasião especial?
— Anos! Anos de minha mulher!
— Tem preferências?
— Vistoso! Assim uma coisa colorida!
— Rosas vermelhas?
— Não estará já muito visto?
— Talvez… E rosa porcelana?
— Para isso ia a uma loja da Vista Alegre, não acha?
— Peço desculpa mas não me fiz entender!… Rosa porcelana é uma flor lindíssima, originária de São Tomé e Príncipe, que parece que é mesmo de porcelana…
— Desculpe-me, mas confesso-lhe a minha ignorância em matéria de flores. Posso ver?
— Claro! Tem ali aquelas, em tons vermelho e laranja…
— Nunca fui muito dado ao laranja, sabe. Vou mais nos vermelhos.
— É exactamente como eu, o senhor. O sangue a pulsar, o fogo a arder, a chama em permanente crepitar… enfim…
— Essas suas palavras fizeram-me lembrar a minha adolescência, em que sentia toda essa exaltação, de forma tão compulsivamente arrebatadora.
— Não me diga que já não é assim? Tão novo ainda…
— Não tanto quanto isso! Vou fazer quarenta e três…
— Em Setembro?
— Não, não! Em Outubro.
— E eu faço quarenta e um. A quatro.
— De Outubro?
— Não, agora em Setembro.
— Mas isso é já para a semana… E ninguém diria que a senhora…
— Camélia… sou Camélia.
— Até que era uma belíssima ideia…
— O quê, desculpe?…
— Levar camélias.
— Que pena, não temos, sabe! É raro aparecerem.
— Não faz mal, levo só uma.
— Não estou a perceber…
— Levo só uma!
— Uma, como?
— A si! Levo-a a si!… Ou nega-me esse prazer?
— Não será irmos depressa de mais. Do género precipitado?…
— Precipitado, como?
— Sei lá, tudo tão rápido… assim, tão de repente…
— As melhores coisas desta vida são assim, vapt… de repente!
— É capaz de ter razão, sim senhor… mas então só se for às sete, que é quando eu saio.
— Óptimo. Às sete, então!
— E as flores para a sua mulher?
— Quais flores? Qual mulher?
— A sua! Os anos, lembra-se?
— Ah claro!… Mas isso qualquer torradeira eléctrica serve. Tanto mais, que ela já me anda a pedir uma há mais de seis meses.

publicado por jdc às 09:38
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Segunda-feira, 3 de Setembro de 2007

O Salto de Tarzan

     

      15 quilómetros quadrados de floresta virgem desaparecem diariamente.
     O aviso é da World Wildlife Fund, para quem a agência Uncle Grey, da Dinamarca, fez este incisivo anúncio.

publicado por jdc às 17:54
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Porta Fechada

    
     
     Uma pista (importante) para quem cai na asneira de trancar o carro com a chave lá dentro e está a uma distância considerável de casa:
    
     1º. Pega no seu telemóvel e faz uma chamada para casa, onde certamente tem guardado um duplicado da chave;
     2º. Pede para que aproximem o duplicado do telefone e para premirem o controlo remoto, enquanto que você aproxima o seu telemóvel da porta do carro;
     3º. No momento em que accionarem o comando em sua casa, a porta abre.
    
     Simples, rápido e eficiente. Vão por mim que já experimentei.
    
     Nota: Se não estiver ninguém em sua casa, o que também é possível, então sim, terá de recorrer ao velho método do taxi. Muito mais caro e muito mais demorado.
publicado por jdc às 14:53
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Domingo, 2 de Setembro de 2007

Jim Borgman

 

     Jim Borgman é um talentoso cartoonista americano - por quem desde há muito tenho uma profunda admiração -, vencedor de um Pulitzer e de muitos outros prémios quer americanos quer internacionais, consagrado a nível mundial pela tira cómica «Zits», publicada diariamente por mais de 1000 jornais das mais diversas nacionalidades.
     É cartoonista editorial do Cincinnati Enquirer desde 1976 onde, todos os dias, publica um cartoon de crítica social e política.
     Recupero agora o seu trabalho que apareceu em 14 de Agosto passado e que refere a saída do principal assessor de George Bush e homem de influência decisiva na definição da política dos Estados Unidos da América, Karl Rove.

publicado por jdc às 15:20
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Sábado, 1 de Setembro de 2007

A reentrada

    

 

     Como homem inteligente e informado que é, escolheu desta vez a Internet para a sua reentrada nesta novo ano político. Fez bem.
     São métodos novos para alimentar o seu velho desejo e a sua incontrolada ambição de um dia chegar a primeiro-ministro.
     Discurso bem estruturado, para que não restem dúvidas que sabe do que fala e de como se fazer entender. Não se sabe é exactamente por quem. Se pelos cada vez menos militantes do seu partido ou se pelos cada vez mais portugueses que sabem que dali já foi chão que deu uvas. Se é que alguma vez as chegou a dar.
publicado por jdc às 12:35
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